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Cientistas testam a avelos no tratamento de doenças graves

postado em 24 de nov de 2018 13:25 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA   [ 7 de dez de 2018 08:09 atualizado‎(s)‎ ]

Em vez de folhas, ramos que se entrelaçam, e inspiram vários nomes populares, como árvore-lápis, pau-pelado, dedinho e labirinto, mas avelos é o mais conhecido. A espécie teve origem na África e se deu bem em várias regiões de clima tropical.

A avelos é uma árvore de porte médio que se adaptou muito bem ao clima da região Nordeste, em São Paulo é mais difícil dela ser vista, porém a ação terapêutica dela é velha conhecida da cultura popular. Dos ramos dela retira-se uma seiva branca, uma espécie de látex que pode até queimar a pele, sendo muito tóxica, mas a partir dela tem início uma história que se der certo  terminará nas prateleiras das farmácias.

O látex da planta é usado há muito tempo na medicina popular para tratar alguns tipos de cânceres, e um sinal dos mais velhos que despertou o interesse de alguns cientistas. Luiz Francisco Pianowsky dirige um laboratório de pesquisa e desenvolvimento farmacêutico que já colocou no mercado cerca de treze medicamentos derivados de plantas, agora é a avelos que ocupa as bancadas do laboratório.

Os cientistas retiram o látex da planta e purificam-no, retirando as substâncias do interior dele e deixando-o de fora, e a partir daí conservam aquilo que pode ser utilizado medicinalmente.

O primeiro composto desenvolvido a partir da avelos foi batizado de AM10. Nos testes feitos em laboratório, ele revelou ação analgésica, anti-inflamatória, e também agiu diretamente em células com câncer.

Foram feitos testes que mostraram a ação citotóxica da planta, ou seja, que destruíram as células cancerígenas.

O estudo com pacientes começou em 2008, sob a supervisão do médico Auro Del Giglio, coordenador do Programa de Oncologia do Hospital Albert Einstein, na zona sul de São Paulo. Esse estudo envolveu seis pacientes, e apenas um teve o quadro estabilizado, os outros cinco não responderam, mas no primeiro nível da droga, ou seja, no que foi utilizado inicialmente, já foi possível constatar toxicidades da droga, de tal sorte que os cientistas pararam o aumento das doses que estava previsto pois a dose inicial já era adequada para futuros estudos em humanos.

A próxima fase do estudo, que ainda não começou, vai responder a principal pergunta dos doentes e dos médicos: a droga produzida a partir da avelos funciona?

Pacientes que têm um tipo de câncer muito comum, que é o de mama, que esteja em estado avançado, e que já tenham utilizado sem sucesso pelo menos dois tipos de drogas quimioterápicas, além de cumprir mais alguns critérios, serão incluídas num estudo que visará responder se o extrato AM10, oriundo da planta, funciona ou não nelas.

Trata-se de um momento muito importante para a ciência brasileira, pois há grande expectativa que pela biodiversidade que o Brasil possui, muitas drogas novas possam surgir e beneficiar pacientes, porém, esse processo precisa ocorrer dentro de parâmetros científicos bem determinados.

Enquanto isso os pesquisadores alertam para os riscos da automedicação com a planta, cujo chá pode provocar muitos efeitos colaterais.

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