Blog‎ > ‎

Conheça o banco de germoplasma de espinheira-santa

postado em 23 de nov de 2018 10:01 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA   [ 2 de dez de 2018 09:28 atualizado‎(s)‎ ]

O que é um banco de germoplasma?

Muitas pessoas colecionam selos, papel de carta, moedas, figurinhas, mas você já pensou em colecionar plantas? É mais ou menos isso que acontece na Estação Experimental Cascata da Embrapa Clima Temperado e no Campus Visconde da Graça, no Instituto Federal Sul-rio-grandense, ambos em Pelotas.

As duas instituições se uniram para criar um banco ativo de germoplasma de espinheira-santa. Essa planta é muito usada no sul do Brasil como medicinal, para tratar dor de estômago, gastrite, ulcera e azia, o próprio Ministério da Saúde recomenda-na para essas utilizações, mas a planta está ameaçada pela expansão das cidades, desmatamentos e outras ações humanas. Assim, o banco de germoplasma ajuda a conservar a espinheira-santa.

De acordo com Rosa Lia Barbieri, pesquisadora da Embrapa, as plantas são originárias de uma coleta feita nos anos de 2002 e 2003 em dezessete municípios do Rio Grande do Sul, em que foram identificadas mais de cem exemplares de espinheira-santa cultivadas em quintais, ou na natureza, na borda de matas, ou em campo aberto, e em seguida foram coletados os frutos, retiradas as sementes, produzidas as mudas, e assim no banco há as plantas que resultaram das sementes cultivadas.

Quando fala-se em um banco, muitos imaginam um lugar fechado, alguns deles guardam sementes das plantas em câmaras frias, mas há os com plantas vivas, isso porque a capacidade de germinar da espinheira-santa não se conserva por muito tempo, devido à isso a solução é preservá-la no campo.

Variabilidade genética

No banco há plantas de espinheira-santa mais altas e vistosas, e outras mais baixas e pequenas, além disso há algumas com folhas com tom de verde mais claro, outras mais escuro, e a quantidade de flores que produzem também varia.

A espinheira-santa recebe esse nome por ser considerada um santo remédio, e é claro por conta dos espinhos, no entanto nem todas elas tem tantos, algumas não tem quase nenhum, e possuem as folhas pequenas, com tom verde escuro, contendo cerca de três espinhos em cada folha. Já outro exemplar possui bem mais espinhos, folhas mais rígidas e com a borda mais amarelada, como se fosse um contorno. O mesmo acontece com a quantidade de flores, algumas têm muitas, outras quase nenhuma.

Essas flores são polinizadas por moscas, vespas e abelhas, e depois disso formam frutos, que amadurecem entre novembro e dezembro. Esses frutos contem uma semente dentro, dispersada na natureza por aves.

Um exemplar de espinheira-santa que pode ser encontrada no banco tem espinhos somente na ponta das folhas, a planta-mãe dela tinha espinhos em toda a folha, as irmãs – que foram coletadas no mesmo dia – também tinham, e somente ela saiu assim, isso porque a espinheira-santa possui fecundação cruzada, ou seja, o pólen de uma planta fertiliza a flor da outra, e nesse cruzamento acontece com os filhos o que se chama de segregação, cada um terá uma combinação de genes diferentes, e por conseguinte terão alturas diferentes, características de folhas diferentes.

Juntando todas essas diferenças, o banco de germoplasma reúne diversidade e cumpre sua função como local de pesquisa. Tanto para aumentar o conhecimento relacionado ao aspecto formológico quanto o químico da planta, ou até mesmo para estudar os polinizadores e como acontece a dispersão das sementes, o ideal é que se tenha uma variação genética da espécie.

Comments