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Índios x pastores

postado em 15 de nov de 2018 09:32 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA   [ 2 de dez de 2018 09:28 atualizado‎(s)‎ ]

Os índios Guarani já foram os donos de todas as terras que vão do litoral do Sudeste até a divisa com o Paraguai. Hoje, confinados em pequenas reservas, vivem como indigentes e se sustentam graças à distribuição de cestas básicas.

O alcoolismo entre eles é endêmico, e o confinamento é o responsável por um dos mais altos índices de suicídios do mundo. Hoje, no Mato Grosso do Sul, a população indígena não passa de 25.000, mas são poucos os que ainda reverenciam o Deus Nhanderu e respeitam os símbolos e ritos regiliosos.

A FUNAI e os índios acusam as igrejas pentecostais de intolerância religiosa, elas satanizaram os objetos de adoração e os rituais indígenas , por exemplo, a tintura de urucum, que os índios usam para serem vistos por Deus.

Na aldeia de Jaguapiru, há 7 km do centro de Dourados, vivem 12.000 índios, quase todos em estado de total indigência, a terra que sobrou para eles é tão pequena que mal dá para criar um cachorro, cerca de 1/3 de hectare por cabeça. O único negócio que triunfa ali é o mercado da fé, e começa sempre da mesma forma, primeiro surge uma igreja modesta, e passados alguns meses aparece uma maior . Hoje, há 36 igrejas diferentes dentro dessa reserva, o mercado é tão concorrido que algumas estão em visível decadência.

De acordo com a diretora local da FUNAI, a mais intolerante é a Deus É Amor, justamente a que mais cresce. Os templos são construídos em terras da União, sem a autorização do governo. Os índios estão sendo chamados de demônios por não participarem da religião evangélica, e os símbolos religiosos deles têm sido motivo de algazarra e chacota .

Os indígenas denunciam que pelo menos cinco casas de oração foram criminosamente incendiadas a mando dos pastores.

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